É muito triste envelhecer...

“É muito triste envelhecer, as pessoas se esqueceram de tudo o que eu fiz!”

Cantor, compositor e poeta, Taperinha conta as alegrias e tristezas de sua trajetória

Adão de Souza Campos, Taperinha.



Conhecido como Taperinha, o senhor Adão de Souza Campos viveu para compor músicas e poesias cômicas. Natural do estado de São Paulo, foi para o Paraná ainda jovem, sempre com o desejo de escrever e cantar.

Adão não estudou.  Não possui nem o primário completo. O interesse em escrever era muito grande, mas segundo ele, na época não tinha escolas. “Papai me ensinou as primeiras palavras”, conta ele. Sem inspiração alguma, fez shows e comícios no país todo. “Eu só escrevia, não pensava em nada. Simplesmente saía da cabeça”, afirma ele.

Com mais de 1000 poesias escritas, ele me contou que não foi fácil envelhecer, porque ninguém mais se lembra do que ele fez, “É muito triste envelhecer, as pessoas se esqueceram de tudo o que eu fiz!”, comenta ele. Taperinha, no auge dos seus 93 anos, relembra com saudade tudo aquilo que viveu. Cantou e fez as pessoas rirem desde muito cedo e em quase todo o país. Ele vive na Casa da Sagrada Família, o único lar de idosos em Jaguapitã, seus filhos não podem cuidar, pois todos trabalham e ele teria que ter cuidados em tempo integral.

Com sua audição 90 % perdida, não foi fácil conversar e entrevistá-lo. Sua filha Claudia o visita todos os dias e é a única pessoa que consegue conversar com ele. Ele se irrita por não conseguir, e fala atropelando as frases, fica impaciente por não conseguir escutar, já que antes, era uma coisa tão fácil. Entretanto, é de uma lucidez invejável. Com paciência, sentei ao lado dele e assim ele me contou. “Fiz shows e contei piadas na churrascaria do seu avô. Ele sempre me pedia mais uma piada. Gostava tanto dele!”, me deixando com certa emoção e saudade.


Uma lenda viva de Jaguapitã, pioneiro da cidade. Taperinha me emocionou, com toda sua tristeza e vontade de voltar atrás. Contudo, coincidentemente um contentamento me tomou. O cômico cantor e poeta de tantos anos atrás me fez rir o tempo todo, mesmo com todas as suas limitações. E o que ainda prevaleceu, foi o amor, por tudo aquilo que ele fez e é, um pai exemplar, amoroso, assim como eu presenciei com a sua filha Claudia, mas nunca perdendo o bom humor.

NR: O poeta Taperinha faleceu após o término dessa matéria. 
Taperinha com sua filha Claudia, na Casa da Sagrada Família.


Porta do quarto de Taperinha, que sua  filha Claudia carinhosamente fez.

Andressa

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