“Aquele dia estava muito frio, a temperatura começou cair rápido. Ninguém conseguiu dormir naquela noite, ficamos todos acordados”.
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| Dona Maria com seu bisneto Luan (Foto: Bruno Lourenço) |
Maria é
uma de muitos outros cidadãos que vieram para Londrina com suas famílias em
busca de trabalho. Casou-se aos 12 anos, ela diz: -“foi muito bom, meu marido
me tratava como uma filha”. Na década de 1950 era comum, as moças casarem cedo.
Teve 10 filhos. Hoje apenas sete estão vivos.
Maria e seu marido sempre trabalharam na roça, sua única reclamação era nunca
ter a carteira de trabalho registrada, -“enquanto estava com meu marido
trabalhei 27 anos” afirma.
Quando pergunto, a ela, sobre as festas com
resposta na ponta da língua diz: –“Eu não tinha tempo para festas. Os domingos
eram para lavar roupas e fazer pão, para segunda-feira ir trabalhar novamente”
afirma Dona Maria. Seu lazer era ir à
igreja nos domingos à noite com o pessoal que morava na colônia.
Pergunto a Maria sobre a geada de 1975, como
foi passar por um período de muitas perdas, tristeza e angustias. Ela faz uma
pausa na fala por um momento e suspira, -“Houve duas geadas, a primeira por
volta de 1960 e a segunda em 1975,” conta.
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| Cafezal todo queimado pela geada (Foto: Imagem retirada da internet) |
Na
primeira geada Maria conta que foram pegos de surpresa, não tinham alimentos
estocados. Deixando todos com fome. O único jeito de matar a fome era meio
pacote de banha, um de arroz para durar quinze dias. Mãe de uma criança de
colo, para amamentar o filho, tomava salmoura (água e sal). Durante as manhãs,
seu marido pegava as espigas de milho, que encontrava na roça, para moer e
cozinhar com sal para se alimentarem, -“Eles choravam de fome, não tinha o que
dar”, afirma Dona Maria.
A segunda geada que ocorreu em 1975 foi
considerada a pior no estado do Paraná, principalmente na região norte, a mais
afetada pelas baixas temperaturas, onde existiam grandes plantações de café,
principal economia do estado. Esta geada ficou conhecida como “Geada Negra” ela
recebe este nome por se formar com temperaturas baixas e com ventos fortes.
“Aquele dia estava muito frio, a temperatura
começou cair de tarde. Ninguém conseguiu dormir naquela noite, ficamos todos
acordados. As crianças eram cobertas com pano de colher café, porque não tinha
cobertor”, afirma Dona Maria. As
famílias aqueciam suas casas fazendo pequenas fogueiras no chão, esta era única
forma. Quando amanheceu estava tudo congelado.
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| Estrada coberta de gelo (Foto: Imagem retirada da internet) |
Informações mostram que, a geada que caíra
sobre a região norte do Paraná, congelou as planta por dentro e as raízes,
causando grandes perdas. Plantações inteiras de café foram perdidas.
Hoje, Dona Maria vive sozinha em seu
apartamento de 43 metros quadrados, o qual ela cuida com esmero. E ao encerrar
a entrevista ela diz: -“Foi feio meu fi! Geada igual aquela nunca mais quero
ver, nem ouvir falar”.
Para saber mais sobre a geada:



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