A mocinha dos anos 80.

A praça era muito frequentada, as famílias, os casais de namorados sempre se reunião neste espaço para se divertirem.




 São seis horas da tarde do dia 22 de maio quando entro na circular (ônibus) com destino à Irerê. Com aproximadamente dois mil habitantes, aparentando ser um lugar pacato o Distrito de Irerê faz parte do município de Londrina.
 Chego por volta das sete e meia da noite. Apeio no terminal e sigo rumo ao endereço de uma amiga que cede um quarto para passar a noite. Deveria ter levado uma blusa a mais, fazia um frio naquela noite.
  Ao chegar à casa da Cris, seu filho me espera para mostrar o quarto, e me pergunta se eu quero ir à igreja ou aguardar na casa até eles chegarem. Decido aguardar, assim tenho tempo para elaborar as perguntas para minha entrevistada.
  Por volta das dez horas da noite a Cris chega da igreja, e me avisa que estão preparando uma festa surpresa para a filha da Nena. Então, o silêncio que estava na casa é tomado por um monte de pessoas ajudando a preparar a festa da moça. Aproveito a oportunidade para tirar algumas fotos. Por volta da uma da madruga, me retiro para descansar.
 Levanto por volta das nove horas da manhã, do domingo, escovo os dentes e vou na cozinhar preparar um café. A entrevista esta marcada ás dez horas, mas Nena recebe a visita de parentes, decidimos adiar. Ela diz para marcamos depois do almoço, - assim todos já foram embora!

  Às três da tarde consigo iniciar a entrevista!

 Sônia Aparecida Ferreira, 47 anos, conhecida pelo apelido de Nena é natural de Taquaruna, patrimônio próximo a Irerê. Mora no distrito a mais de trinta anos, e nos conta que nunca morou em outro lugar que não fosse próximo a Irerê.
Sônia conhecida como "Nena" (Foto: Bruno Lourenço)
  A primeira pergunta que faço a Sônia é porque seu apelido é Nena? Ela diz: - "Então, quando era pequena, meu irmão não conseguia falar nene e falava Nena. Fui crescendo e as pessoas continuaram a me chamar de Nena".
  Ao falar de sua infância Nena nos conta que seu pai mudava muito, passando por várias cidades pequenas, fazendo trabalhos como "gato" e também contratava pessoas para trabalhar com ele, mas sempre estavam de volta a Irerê. "Quando tinha onze anos nos mudamos dentro do distrito". As pessoas das regiões próximas vinham para Irerê fazer compras de produtos, alimentos. Na década de 80 existiam muitas vendas. Atualmente é apenas dois mercadinhos, duas vendas e muitos bares.
  O nome do distrito "Irerê" que na língua indígena significa Marreco, ave que foi símbolo do distrito. Que segundo dados acessados no portal da prefeitura, existia e existe até de hoje um rebeirão no qual as aves iam tomar banho e nadar durante o dia. Quando as pessoas estavam próximas, de longe avistavam de longe as aves nadando no ribeirão. O distrito era para se chamar Marrecas, mas já existia uma cidade no Paraná com esse nome, optando por colocar Irerê.
Marrecas (Foto: Retirada da internet)
 "A praça era muito frequentada, as famílias levavam suas crianças para brincar, os casais de namorados sempre se reunião para namorarem", nos conta Nena.
  Quando o assunto era festa, Nena com seu peito cheio de ar diz: "Na década de 1980, embora eu fosse uma mocinha, existia um salão na parte de baixo do distrito que tinha baile nos finais de semana".
 As festas públicas sempre juntavam muitas pessoas, a igreja católica organizava e organiza até hoje uma festa de comemoração ao padroeiro do distrito.  Irerê é um distrito que parou no tempo, o lugar deixou de evoluir e o pouco que se encontra hoje não supre as necessidades das famílias, tendo que recorrer a Londrina par comprar produtos.
  Nena nos conta que para criar seus filhos foi uma época difícil, a falta de serviços nas lavouras, acabava por acarretar a falta de dinheiro dentro da casa. Mas, contudo conseguiu criar seus filhos, hoje com 24 e 29 anos.

Mapa visto de cima do Distrito de Irerê (Imagem: Google Maps)
  Hoje Nena é diarista, trabalha no centro de Londrina, e diz não abrir mão do seu serviço e também de onde mora. Ela considera o lugar pacato, mas é tranquilo e sossegado. Assim como Nena muitos outros moradores não abrem mão de seu cantinho. 

Bruno Lourenço

2 comentários:

  1. ola' gosteria de entrar em conteto com alguem morador de irere dos anos 80 a 90 pois procuro um parente que morava ai e perdi totalmente o contato.ele esta' com 68 a 70 anos hoje nao sei se e' vivo ou morto,por isso gosteria de falar com alguem antigo ai.muito obrigada.

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  2. ola' gosteria de entrar em conteto com alguem morador de irere dos anos 80 a 90 pois procuro um parente que morava ai e perdi totalmente o contato.ele esta' com 68 a 70 anos hoje nao sei se e' vivo ou morto,por isso gosteria de falar com alguem antigo ai.muito obrigada.

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